Falta de gestão ameaça micro e pequenas empresas

Notícias

11 de fevereiro de 2019

Abrir o próprio negócio parece ser a soluçăo perfeita para quem quer fugir do patrăo e, ao mesmo tempo, ajudar a economia por meio da criaçăo de empregos e do aumento da produção. Esse passo, no entanto, requer planejamento e cuidado para năo terminar em dor de cabeça. A falta de gestăo profissional, dizem especialistas, pőe em risco a sobrevivęncia das micro e pequenas empresas. 
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a taxa de mortalidade das empresas com mais de dois anos de funcionamento corresponde a 24,6%. Na prática, uma em cada quatro empresas fecha até dois anos após a criaçăo. Grande parte do índice pode ser atribuída a má administraçăo. 

O principal problema diz respeito a mistura entre o patrimônio pessoal dos donos e o dinheiro das empresas. A falta de um sistema claro de contabilidade compromete a manutençăo e a capacidade de investimento das empresas. A dificuldade, dizem os especialistas, năo se restringe aos negócios familiares e acomete grande parte das empresas. 

“Sem uma separaçăo definida entre o patrimônio pessoal e da empresa, os donos ou os sócios fazem retiradas sem o devido cuidado e pőem em risco a contabilidade do negócio”, adverte o consultor Marcello Lopes. Para ele, os proprietários precisam saber quanto a empresa rende, para somente entăo definirem o valor das retiradas. “O empresário năo pode simplesmente retirar o valor que quiser porque a renda dele é determinada pelo lucro do negócio”, acrescenta. 

A falta de profissionalizaçăo na administraçăo das empresas também pode causar problemas com o Fisco. “Por falta de conhecimento, as retiradas para proveito próprio do dono săo registradas como despesas relacionadas ŕ atividade da empresa, que reduzem o lucro e diminuem o Imposto de Renda e a Contribuiçăo Social sobre o Lucro Líquido”, explica o advogado tributarista Edemir Marques de Oliveira. 

Se a Receita constatar que as despesas foram registradas de forma errada e diminuíram o lucro artificialmente, ela pode auditar a empresa. “No fim, o empresário vai pagar ainda mais impostos e ter dor de cabeça mesmo que năo tenha tido a intençăo de burlar o Fisco”, diz o advogado. 

Pela legislaçăo, as empresas que faturam até R$ 360 mil por ano pagam os tributos federais, estaduais e municipais por meio do Simples Nacional. Segundo Lopes, o regime simplificado de tributaçăo, ao mesmo tempo em que facilitou a vida das empresas, desestimulou os pequenos negócios a buscar uma gestăo profissional. “No Simples Nacional, basta um livro-caixa para pagar os impostos, mas isso năo significa que as empresas devam ser descuidadas com a administraçăo e a contabilidade”, diz. 

A falta de planejamento compromete o crescimento das empresas no médio e no longo prazo, principalmente quando as empresas faturam mais e saem do Simples Nacional. “Uma gestăo descuidada compromete năo só o pagamento de impostos como atrapalham a obtençăo de crédito para a empresa porque ela năo consegue justificar a contabilidade aos bancos”, alerta Lopes, que presta orientaçăo a empresas que querem profissionalizar a administraçăo. 

Para Oliveira, o custo de as micro e pequenas empresas recorrerem a uma consultoria para profissionalizar a gestăo compensa os resultados. Caso o custo seja alto, o advogado aconselha os empresários a procurar as associaçőes comerciais e as unidades do Sebrae para receberem orientaçőes sobre a administraçăo dos negócios. “Essas entidades ajudam o empresário a correr atrás de uma gestăo um pouco mais profissional”. 

FONTE Do JC Online 
Da Agência Brasil

Comentários