Reforma tributária

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11 de fevereiro de 2019

Com essa carga tributária existente no País é inviável acabar com a sonegação, não por se tratar somente de empresário inescrupuloso, é porque é difícil uma empresa se manter, com essa carga tributária que afeta diretamente o setor produtivo. 

Nós brasileiros pagamos um volume de impostos de Primeiro Mundo em troca de serviços de país subdesenvolvido e ainda têm de sustentar o empreguismo no governo e as benesses concedidas a pelegos amigos do poder. Esses são os fatos, mas o Presidente contou uma historia diferente em seu discurso, em Brasília, na reunião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). “Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada”, disse o presidente. Os países desenvolvidos têm boas políticas sociais, argumentou, porque têm a tributação mais elevada, e citou EUA, Alemanha, França, Dinamarca e Suécia como exemplos. Há muita má-fé nessa argumentação e alguma ignorância. 

Para começar, a opção não é entre uma carga tributária de 10% do PIB, obviamente muito baixa, e uma de 35%, 40% ou mais. Em segundo lugar, nem todos os países desenvolvidos ou emergentes têm impostos e contribuições tão pesados quanto os do Brasil. A tributação nos EUA fica geralmente abaixo de 30% do PIB, assim como na Coréia, Japão e México. Na Austrália, oscila em torno de 30%, assim como na Suíça. 

Em todos esses países os contribuintes pagam menos que no Brasil e recebem serviços muito melhores que aqueles proporcionados aos brasileiros. Na Europa mais desenvolvida a tributação média é muito próxima da brasileira, estimada na faixa de 35% a 38% do PIB. Mas quem ousará confrontar os serviços de educação, saúde, segurança e justiça desses países com os do Brasil? Além, é claro, dos gastos públicos em pesquisa, tecnologia, infra-estrutura e transportes? 

Ramires Rodrigues de Souza 
Contabilista

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